Ao longo dos últimos anos a investigação científica tem-se debruçado sobre os fatores que parecem contribuir para um envelhecimento problemático. Obviamente que um fator de risco é somente uma probabilidade maior de ter um envelhecimento problemático, não significando que uma pessoa com sentimento de solidão venha obrigatoriamente a ter uma demência.
Assim, estes são 12 os fatores potenciadores um envelhecimento problemático que hoje evidenciamos:
- Falta de exercício – O desporto é uma mais-valia para a saúde. No entanto, a sua prática deve ser adaptada à faixa etária mais idosa. As pessoas mais velhas só devem praticar um dado desporto depois do médico dar o seu parecer ao utente. Ioga, pilates, exercícios aeróbicos, dança, natação são algumas das práticas recomendadas.
- Baixo nível de escolaridade – O baixo nível de escolaridade tem sido referenciado como um fator a ser considerado de risco.
- Falta de atividades que possuam desafios – São as atividades em que a pessoa decide aprender algo novo ou decide envolver-se em atividades estimulantes, como por exemplo aprender um novo idioma, jogar sudoku, jogar às cartas, ler livros, jogar xadrez, etc. O nosso cérebro segue um pouco a lógica de “use-o ou irá perdê-lo”.
- Sentimento de solidão – A importância das relações interpessoais com os conhecidos, os amigos, e os familiares, as chamadas relações sociais, são fatores importantes para um sentimento de pertença a uma comunidade. Quanto mais isolada a pessoa estiver, mais probabilidade terá de desenvolver demência.
- Infância desfavorecida – O desenvolvimento das estruturas cerebrais no decorrer da infância tem sido alvo de diversos estudos. A alimentação equilibrada e suficiente durante esse período crítico influencia o desenvolvimento das estruturas cerebrais, sendo que estas alterações ainda se verificam 50 anos depois de elas terem ocorrido.
- Episódio depressivos anteriores – A depressão é claramente um dos fatores de risco. Infelizmente em Portugal a saúde mental é frequentemente o “parente pobre” que tem poucos recursos e que não chega por consequência a todos os que precisam de ajuda.
- Alimentação desequilibrada na idade adulta– É aconselhada uma alimentação equilibrada, sendo a dieta mediterrânica uma excelente opção. Deve-se ainda procurar reduzir a ingestão de gorduras trans e saturadas, assim como ter um consumo moderado de álcool. As pessoas obesas terão de procurar reduzir o seu peso com ajuda preferencial de profissionais da área.
- Audição e visão não corrigidas – Deficiências visuais e auditivas não corrigidas poderão ser fatores de risco.
- Riscos cardiovasculares – A hiperlipidémia, assim como a hipertensão arterial parecem ser fatores de risco.
- Traumatismo craniano – Quanto mais tarde tiver ocorrido o evento (acidente) traumático com gravidade de moderada a severa, maior a probabilidade de desenvolver algum tipo de demência.
- Perturbações do sono – A fraca qualidade do sono tem sido igualmente referida com um fator de risco.
- Tabaco – Todos conhecem o slogan “Fumar mata”, mas também fumar pode levar a demência.
Em jeito de conclusão, verificamos que alguns dos fatores aqui apresentados podem ser modificáveis, outros já não. Portanto, só nos resta tentar minimizar os riscos, e procurar desenvolver hábitos de vida saudáveis.
Autora do artigo: Catarina Marques-Costa 
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